No território das sereias (05/2014)
O mar revolto batia forte contra o casco do navio, o sol queimava forte a pele dos marujos que içavam a vela da embarcação. Sob o comando do capitão Ashiv, cruzavam o mar seguindo o costa das terras negras. Precisavam manter uma distancia segura de 8 kilometros da praia para não serem descobertos pela patrulha mercante. A força da esquadra real era fulminante, e o ultimo confronto direto causou baixas consideráveis na tripulação, além de um buraco nada desprezível no casco do navio. Felizmente um acordo com os mercadores de especiarias havia garantido capital para uma reforma rápida no navio. Naqueles dias estava cada vez mais difícil encontrar bom membros para a tripulação, que estivessem dispostos a correr riscos no alto mar, se dedicar ao trabalho duro em aventuras perigosas e correr o risco de terminarem seus dias sendo devorado por uma gigantesca serpente marinha. Mas o Desbravador era um barco veloz e resistente , e guardava seus encantos, garantido a sedução dos novos aventureiros, embora despertasse medo a cada embarcação que cruzava seu caminho, afinal era o um antigo navio pirata.
O capitão Ashiv havia prometido a seu pai em seu leito de morte que cessaria suas atividades piratas, e não mais abordaria outras embarcações. Mas isso não queria dizer necessariamente que ele abandonaria atividades ilícitas. O contrabando de mercadorias havia se tornando uma atividade lucrativa, e um barco dinâmico como o Desbravador cumpria muito bem a esse proposito. Ashiv retornava pronto para cumprir mais um compromisso, transportava uma carga exclusiva para o rei Ronimus. Mais três dias de viajem e chegaria a cidade de
Nathilia. Muitos duvidavam que o desbravador conseguiria fazer a viagem em tão pouco tempo, mas o capitão já havia bolado sua estrategia, sua tripulação não era tão supersticiosa, e enquanto a maioria dos mercadores evitavam a região por suas lendas de monstros e morte, eles fariam o caminho mais rápido, passariam pelo largo ao longo da costa, mantendo distancia dos recifes e tentando não se arrastar pelas fortes ondas que enfrentavam as rochas. Eles estavam prontos para entrar no temível território das sereias.
Nathilia. Muitos duvidavam que o desbravador conseguiria fazer a viagem em tão pouco tempo, mas o capitão já havia bolado sua estrategia, sua tripulação não era tão supersticiosa, e enquanto a maioria dos mercadores evitavam a região por suas lendas de monstros e morte, eles fariam o caminho mais rápido, passariam pelo largo ao longo da costa, mantendo distancia dos recifes e tentando não se arrastar pelas fortes ondas que enfrentavam as rochas. Eles estavam prontos para entrar no temível território das sereias.
Ashiv monitorava pessoalmente o movimento do mar, observando vez em quanto a linha do horizonte e verificando o flamular das velas no mastro. Guiava-se pelos ruídos emitidos pelo casco da embarcação,sentia as torções e vibrações do navio para comandar sua navegação. A aproximação de algumas gaivotas intrigou o capitão, afinal, deram sinal de que havia comida disponível em algum lugar das imediações. Talvez alguma baleia atacada por um tubarão, ou algum outro animal morto perto da costa.
O capitão retornou para dentro de sua sala de comando, por segurança era ali que estava sua encomenda, dezoito caixas do raríssimo e cobiçado vinho feito pelos monges do vale sagrado. Somente uma pessoa com a riqueza e os recursos do Rei Ronimus para adquirir aquela quantidade de caixas de uma só vez. Mas o Rei sabia que o imperador das terras negras e todo seu cartel burocrático iriam lhe cobrar uma fortuna em taxas e favores para que o vinho fosse entregue por vias normais. Contratar os serviços de Ashiv lhe parecia muito mais tentador.
As caixas de vinho repousavam próximas a uma pequena janela, onde a gaivota havia pousado momentos antes, os rótulos nas caixas apresentavam uma cigana de seios fartos dançando. Os monges, embora isolados tinham todo um tino comercial. O próprio material das caixas denotavam a qualidade do produção, feitas de uma madeira nobre que cheirava como carvalho novo. Muitos naquele barco haviam dormido toda a sua vida em camas feitas com o resto da madeira de barcos naufragados, considerando que o resto nunca havia dormido numa cama de verdade. Ashivi precisava manter sua carga a salvo e sua tripulação longe da tentação enebriante.
Sinned , o jovem imediato surgiu na porta da sala do capitão e pediu permissão para entrar.
- Não precisa bater continência imediato, estamos bem longe de qualquer forma de lei.
- Temos que manter a rotina e as formalidades meu capitão! - Gritou o rapaz com a mão na testa. Seus olhos estavam vidrados e ele pareceu tentar adivinhar quais seriam as providencias do capitão antes mesmo de informar o ocorrido.
- Diga logo homem! Você veio me comunicar algo não?
Sinned observou de relance as caixas estocadas do bom vinho e enquanto seus olhos apreciavam o desenho da cigana voluptuosa, sua boca começou a balbuciar as palavras.
- Interceptamos um naufrago capitão...
- Naufrago? - faz tempo que não vejo nenhum homem jogado ao mar. A não ser os que eu mesmo tenha jogado...
- Não é um homem meu capitão, parece que é uma mulher, está adormecida sobre uma grande prancha de madeira, a deriva há quinhentos metros daqui.
Uma mulher perdida em alto-mar, e um barco com 48 homens excluídos por seus comportamentos anti-sociais. - Pensou Ashiv.
- Diga ao timoneiro que enviem um barco para resgatar a garota... - Deu a Ordem o capitão, após refletir por alguns instantes.
- O senhor vai trazer a garota a bordo?
- A situação pra ela não pode ficar pior. Além do mais, nem sabemos se ela ainda está viva.
O desbravador não estava muito longe do pequeno entreposto dos missionários, poderia deixar a garota ali sem influir muito tempo na viagem.
- Pare de me olhar e vá logo cumprir minha ordem imediato! - Gritou o capitão. O rapaz sai tropeçando em direção ao bote de abordagem.
- Uma mulher em meu navio, era só o que faltava. - Refletiu Ashiv, enquanto colocava a mão direita no bolso e de lá retirou um pequeno objeto enrolado num lenço feminino bordado. Desdobrou o pano com cuidado e admirou a peça, lembrava uma pequena espada adornada por duas pedras preciosas, era feito de um metal não identificado pelo capitão, mas tinha uma beleza singular. Tempos atrás, Ashiv e seus homens haviam passado por uma experiencia abaladora. Em uma fria noite na entrada do outono, o Desbravador por pouco não se chocara com uma outra embarcação que vagava sem rumo pelo mar. No inicio Ashiv pensou se tratar de um outro barco pirata, todos os homens entraram em prontidão para um combate iminente, mas o que viram a bordo foi diferente, não havia nenhum bucaneiro lá.
Mesmo achando se tratar de uma armadilha, o capitão decidiu abordar o navio. O grupo de assalto caminhou pelo convés e vasculhou todos os compartimentos da embarcação. não havia ninguém lá, como se todas as pessoas tivessem sido jogadas ao mar, ou desaparecido junto da neblina espessa que se abatia sobre a embarcação. Famintos, os homens vasculharam tentando encontrar algo para comer, mas todos os alimentos estavam putrefatos. Decidiram então pilhar o que encontrassem de valor, como era seu por direito, Ashiv ficou com o baú do Capitão onde ele guardava seus pertences de maior valor. Entre eles havia uma bussola banhada a ouro, a luneta que o timoneiro agora utilizava diariamente e um pesado casaco azul marinho de veludo, ótimo para as noites frias no mar.
Em uma dessas noites frias, Ashiv caminhou até a proa do Desbravador, sentias-se sozinho e cansado e pensava o que seria dele se não tivesse o mar como companhia. Um vento gelado lhe deu um beijo na face e Ashiv fechou o ultimo botão do pesado casaco azul. Quando colocou a mão nos bolsos enquanto pensava em Serena, a bela filha de um mercador que ele havia conhecido tempos antes na cidade de Nathília, encontrou uma pedaço de pano embrulhado, e o pequeno pingente em forma de abridor de cartas. Desde esse dia então, o capitão passou a carregar a peça como amuleto, enrolado no lenço que ela havia ganhado como recordação da garota., para se lembrar que a realidade poderia ser negra e misteriosa, e ao mesmo tempo doce e generosa.
- Homem ao mar! - Gritou um dos marinheiros mais antigos, sem perceber que se tratava de uma mulher. Logo, toda a tripulação estava no convés do navio. O bote foi recolhido e o capitão viu seu timoneiro abordar com uma garota de cabelos esverdeados nos ombros, ajudado por um auxiliar. Guilter, o cozinheiro, que fazia as vezes de médico a bordo, pediu que os homens se afastassem. A garota foi deitada sobre dois caixotes numa maca improvisada. O capitão precisou esmurrar alguns marinheiros para conseguir chegar até a garota.
- Deixem o capitão passar! - Gritou o imediato.
Em todas as andanças de Ashiv, visitando cidades distantes e comunidades isoladas de etnias variadas, nunca havia visto ninguém parecido com aquela garota, seus traços eram leves, sua pele branca parecia resistente ao sol que castigava os demais, quase como uma concessão divina, não de bronzeava. Seu rosto apresentava sardas que se distribuíam pelo seu pescoço em lugares estratégicos, e seus lábios tinham uma cor forte como se fossem pintados com o licor de amoras silvestres. Usava um curto vestido vermelho escuro feito de um tecido enrugado que mais parecia uma flor murcha tal era a leveza de seu toque. O tecido molhado e colado ao corpo realçava ainda mais suas curvas, despertando ainda mais a imaginação daqueles homens que a rodeavam.
O cozinheiro médico sustentou a cabeça da garota com um braço e aproximou de seu rosto um frasco contendo um liquido de cheiro forte. Adormecida a garota inalou o composto por alguns segundos para depois despertar e virar o rosto. O imediato colocou-lhe uma caneca de água doce na boca, a garota bebeu alguns goles e quando abriu os olhos viu todas as formas de lobos do mar a sua volta.
- Quem são vocês, perguntou ela. - numa voz suave e meio rouca que mais lembrava um canto.
Ashiv se apresentou como o capitão de uma embarcação mercante, mas a garota olhou os rapazes a sua volta e eles não pareciam marinheiros.
- Vocês parecem piratas... disse ela, já mais disposta.
- De certa forma já fomos. - Respondeu o capitão com um sorriso. - , hoje somos entregadores especializados de mercadoria.
- Você quer dizer, contrabandistas? Questionou ela.
- Uma forma mais atenuada.
Ashiv olhou a sua volta e todos os homens estavam lá, parados e observando a garota, tratou de ordenar que cada um voltasse a seu posto. Os homens pouco a pouco foram se distanciando, apenas o jovem Sinned continuou a alguns passos do capitão, disfarçando fazer suas atividades, enquanto prestava atenção na conversa.
- Perdoe-os. Não andam muitas mulheres nesse barco, a não ser quando damos uma festa... - Desculpou-se o capitão.
A garota sentou-se no caixote, e agradeceu a Ashiv por ter sido salva.
- Muito obrigada por me resgatar, faz dois dias que e estou vagando pelo mar desde que meu barco naufragou. Estavamos indo para Porto Rosa. Acho que batemos em algo muito grande...
- Vocês não deviam ter passado por aqui, essas águas são perigosas. - Advertiu o capitão.
- Você acredita em monstros marinhos que afundam barcos e devoram sua tripulação?
- Claro que não. - respondeu Ashiv. - Mas você ainda não me disse seu nome...
- Pode me chamar de Mari. - Disse a garota. Seus olhos castanho-claro brilhavam e Ashiv sentiu-se seduzido.
- Nunca vi nenhuma sereia Mari, dizem que elas tem escamas pelo corpo e olhos de fogo. Mas já me deparei com muita coisa esquisita, inclusive um navio que velejava vazio, como se todos os marujos tivessem pulados ao mar.
- E você , sentiu medo? - Perguntou a garota.
- Não. Mas o vazio gelou a minha alma. Disse o capitão. A garota segurou seu braço por um instante,e os dois ficaram em silêncio.
- A solidão é o maior inimigo do homem. Completou a jovem moça de cabelos esverdeados.
O entardecer chegou e o sol assumiu um tom alaranjado mais forte se escondendo no horizonte. As primeiras estrelas começaram a surgir no céu.
O desbravador carregava um baú com um lote de roupas femininas que Ashiv iria entregar na cidade de Nathília, junto do carregamento de vinho. A garota naufraga pode escolher uma das peças para vestir e foi procurar algo do seu tamanho. Escolheu um vestido preto com dois grande botões na frente que davam suporte as suas alças. Por segurança, Ashiv pediu que Mari ficasse na sala de comando e evitasse circular pelo navio. Muito tempo no mar poderia deixar qualquer um louco. Por via das duvidas, encarregou o imediato que vigiasse a garota, logo depois de passar uma ordem expressa para que ninguém importunasse a única mulher a bordo.
O timoneiro informou ao capitão a necessidade de manter o barco longe dos recifes e evitar a rota de uma pequena ilha naquelas redondezas.
Ashiv retornou a seus aposentos e tentou descansar. Depois da conversa com a garota, passou a sentir a falta da filha do mercador, que havia dito que iria esperado , mesmo sabendo que possível ele não voltaria. Ashiv adormeceu e em seu sonho estava deitado na areia da praia, e havia sido desperto por uma melancólica melodia. As vozes não pareciam vir de lugar nenhum, mas o capitão do Desbravador percebeu a presença de três imagens femininas sentadas sobre os recifes perto das ondas.
A garota do meio parecia muito com Serena, a filha do mercador. Ele tentou resistir, mas seu corpo começou a andar em direção ao trio, e Ashiv deixou-se levar pelo encanto. A garota com o rosto conhecido fez sinal para que ele se aproximasse, enquanto a garota ao seu lado penteava seus longos cabelos, já a outra garota mais o fundo aproveitava o sol. As passadas de Ashiv pela aguá ficaram cada vez mais pesadas a medida que chegava próximo as rochas, e ele sentiu que começava a afundar. A agua cobriu sua cabeça e o afogamento pareceu certo, mas Ashiv foi puxado para cima pela garota. Ele pensou em agradeceu mas quanto olhou em seus rosto, não haviam olhos lá. Havia apenas o vazio, que congelou sua alma.
Ashiv acordou com batidas na porta de seus aposentos.
- O senhor precisa vir agora! - Disse Sinned, o imediato, sua expressão de aflição indicava o grau de gravidade do assunto.
O capitão vestiu de novo seu casaco azul marinho e foi em direção ao convés, onde sua tripulação estava toda reunida. Quando Ashiv se aproximou, apenas o imediato, seu timoneiro e o cozinheiro/médico ficaram ao seu lado.
Bartos, que funcionava como uma especie de líder dos carregadores do navio, tomou a frente do grupo para falar com o capitão, seu olhar alucinado e seu tamanho avantajado encheu de medo o imediato , que deu um passo pra trás. Mas não ao capitão, que apenas o fitou nos olhos.
- O que é isso? Um motim? - perguntou firme o capitão.
Bartos olhou os companheiros ao seu redor, sorriu pelo canto da boca e indicou a cabine onde estava a garota naufraga.
- Nós estamos cansados e sempre fomos trabalhadores dedicados. Merecemos um pouco de diversão.
- Terão toda a diversão quando pisarmos em terra firme, agora, voltem aos seus aposentos. - Respondeu o Capitão dando a ordem ao grupo.
- Nós queremos a garota! - Gritou um dos marujos que estavam mais ao fundo. O grito recebeu apoio do resto.
Bartos sorriu novamente e colocou sua mão na empunhadura de sua espada. Os músculos retesados poderiam cortar uma arvore ao meio.
- São eles que estão dizendo capitão... Deixe a garota se divertir um pouco com a gente...
Ashiv apenas encarou o homem, um outro carregador mais baixo , mas muito mal encarado veio ao lado de Bartos para dar-lhe apoio com a espada em punho. Sinned, engoliu a seco e começou a suar ainda mais, nunca havia participado de um briga antes, muito menos naquelas proporções.
Com o barulho da confusão, Mari foi até a porta da cabine, a luz da lua refletiu em seu rosto, e ela lançou um olhar aflito para o capitão.
Os próximos movimentos foram rápidos. Ashiv segurou o rapaz mais baixo pelo braço e puxou em sua direção. Tirou a espada de sua mão ao mesmo tempo que o empurrava pra longe com um golpe no queixo. O cozinheiro/ Médico aplicou uma chave de braço no homem e o jogou sobre algumas caixas de madeira.
Bartos não teve tempo de muita coisa. Quando levantou sua espada e tentou bradar algo, seu estomago já estava atravessado pela espada do próprio amigo, que Ashiv havia estocado nele.
- Estou ferido. - Disse Bartos antes de cair sem vida com seu sangue quente escorrendo pela lamina de metal.
Bartos caiu no chão com os olhos arregalados, e sua última visão foi a garota de cabelos verdes mais a sua frente.
Os demais olharam atônitos o corpo de seu líder estirado numa poça de sangue que se formava.
- Comida pra tubarão. - disse o Timoneiro.
Ashiv olhou o resto dos homens. Aguardando quem seria o próximo.
- Está na hora de vocês elegerem um novo representante. - Gritou ele para o grupo.
Ficou resolvido entre o grupo que ninguém tocaria na garota. E que ela seria levada em segurança até terra firme. Para acalmar os ânimos, Ashiv abriu duas caixas do vinho e distribuiu entre os carregadores. O funeral rápido de Bartos foi sucedido pela comemoração da eleição novo líder da tripulação. O festejo entrou noite a dentro, e a condição imposta pelos homens foi a de que a garota de cabelos esverdeados tomasse uma taça com eles.
Pela madrugada , Ashiv escoltou Mari até sua cabine. O cheiro do vinho nobre espalhou-se pelo navio nebulando o cheiro de peixe seco característico do Desbravador.
- Obrigado por me defender. Eu não sei o que aconteceria comigo, se ficasse a merce daqueles homens. - Disse ela ao capitão.
- O código pirata diz que devemos proteger os convidados. E você passou a ser minha convidada quando aceitou ir até Nathilia. - justificou Ashiv.
- Você poderia encher esse barco de mulheres com o dinheiro de apenas uma daquelas garrafas de vinho... - Ponderou ela.
- De nada me adiantaria esse dinheiro se acordasse morto pela manhã. - disse Ashiv.
Mari soltou o prendedor de seus cabelos e trocou olhares com capitão. Em um dos movimentos rápidos tipicos de Ashiv. A porta foi trancada e os dois ficaram abraçados juntos a cabeceira da cama.
Do lado de fora, a maioria dos marujos já estava caída pelos cantos da embarcação, menos Sinned, que vomitava compulsivamente seu primeiro excesso etílico.
O mar resolveu dar uma trégua as embarcações e amanheceu calmo. O desbravador deslizava sossegado,e por alguns minutos chegou a ser acompanhado de golfinhos.
Ashiv acordou de um sono pesado onde havia sonhado novamente com a filha mercador. Na boca restara um tanto de gosto de vinho e um tanto da boca de Mari. O capitão esfregou os olhos, balbuciou algo sem sentindo e virou para contemplar a garota de cabelos verdes dormindo, mas a cama estava vazia. Ele então vestiu sua roupas e foi até o convés e procurou seu imediato.
- Onde está a garota Naufraga? - Perguntou ele.
- Pensei que estava nos seus aposentos capitão... - disse Sinned um pouco envergonhado.
- Pois trate de procura-lá. - Gritou o capitão.
Minutos depois o imediato retornou, mas sua busca tinha sido infrutífera.
- Não está em nenhum lugar capitão. Verifiquei os botes salva vida, não está faltando nenhum.
Ashiv ficou intrigado como a garota poderia ter desaparecido. Pensou até que ela poderia ter se distraído e caído no mar, mas se isso tivesse acontecido não adiantaria retornar, encontra-lá no mar seria praticamente impossível.
O mar voltou a ficar turbulento e uma onda forte bateu no casco do navio, Ashiv olhou no horizonte e notou a escuridão se formando.
O timoneiro aproximou-se com uma carta de navegação.
- Precisamos nos preparar capitão, vem uma tempestade .
- O desbravador já passou por várias tempestades timoneiro, e eu estou sempre preparado. - Disse Ashiv, colocando a mão no bolso do casaco azul para conferir seu amuleto. Mas, assim como a garota de cabelos verdes, o pequeno broche em forma de abridor de cartas havia sumido.
- Temos ser prudentes capitão, examinei as cartas, estamos entrando no território das sereias.
-Ashiv segurou as cartas e um arrepio lhe subiu a espinha. Respirou fundo enquanto sua tripulação se posicionava. Pensou por um momento em Serena. Prometeu que iria sobreviver ao mar para vê-la de novo. As primeiras gotas de chuva tocaram seu rosto e o desbravador rangeu, como se provocasse a tempestade que estava por vir.
FIM.

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